28 Outubro

Considerada "uma das mais entusiasmantes jovens compositoras na América do Norte" pelo The Guardian e uma "navegadora única do mundo eletrónico" pela NPR, Kara-Lis Coverdale é uma voz ferozmente independente da nova música que defende uma abordagem omnívora ao som. Ela cria arranjos coloridos e densos que esbatem a linha entre o ser humano e os dados com uma predileção única por melodias de formato longo, harmonias e detalhes sonoros. Após o lançamento, em 2014, de obras para voz processada que exaltam a natureza da voz na época dos dados, Kara-Lis lançou um álbum a solo, Aftertouches (Sacred Phrases, 2015), que foi nomeado como o melhor do ano pela The Quietus, The Wire e NPR, e o álbum colaborativo Sirens (Umor Rex, 2015), com LXV. Ela é igualmente conhecida pelas suas colaborações com Tim Hecker (Virgins e Love Streams) e pelo seu trabalho de produção para How To Dress Well. Kara-Lis tem atuado em instituições de prestígio em todo o mundo, incluindo no Barbican e no Teatro du Chatelet, em Paris. Foi compositora em residência no EMS, em Estocolmo, e GRM, em Paris, tendo recebido um "prémio de jovem artista promissora" pela lendária compositora canadiana Ann Southam.

Kara-Lis irá atuar com o artista plástico instalado em Berlim, MARCEL WEBER, também conhecido como MFO, numa colaboração para criar uma vida pós-morte fraturada onde o espetáculo decorre.

Marcel Weber é um artista plástico que trabalha com imagens, luz e espaço. As suas performances e instalações têm sido encomendadas e apresentadas em vários festivais conceituados, como o CTM e Transmediale (Berlim), Unsound (Cracóvia, Adelaide, Nova Iorque) e Mutek (Montreal), e exibidas em locais de renome, como o British Film Institute, o Centre Pompidou, bem como em inúmeras instituições e eventos em toda a Europa, EUA e Austrália. 

Kaitlyn Aurelia Smith estudou composição e engenharia de som, tendo-se concentrado inicialmente na sua voz como principal instrumento, antes de mudar para guitarra clássica e piano. Um encontro de boa fortuna com um vizinho que lhe emprestou um sintetizador Buchla 100 teve um profundo impacto nela. Hipnotizada pelo Buchla, rapidamente começou a esculpir exuberantes e emocionantes mundos sonoros.

Na sua estreia em Portugal, ao atuar no Semibreve, Kaitlyn Aurelia Smith irá apresentar EARS, o seu mais recente disco e uma experiência auditiva envolvente em que redemoinhos vertiginosos de sons orgânicos e sintetizados são combinados para criar uma sensação de espaço tridimensional e propulsão. Densas e cuidadosamente elaboradas, cada uma das músicas de EARS se desenvolve com uma elegância fluida, mantendo simultaneamente uma energia espontânea e um sentido vivaz de descoberta. 

Tendo começado discretamente pelo underground em Nova Iorque no final dos anos noventa, Ron Morelli fundou a etiqueta L.I.E.S. em 2010 como forma de lançar a música de um grupo restrito de amigos que faziam faixas pela cidade.

Apesar do avançar do tempo, a etiqueta continua a ser uma instituição altamente respeitada e um esteio sólido no estranho mundo da música eletrónica alternativa. Os álbuns provêm de artistas tão diversos como o pioneiro tecno AdamX, o mestre de sintetizadores holandês Legowelt e Eric Copeland dos Black Dice.

2013 e 2014 foram anos em que Morelli fez novas incursões no âmbito da produção com o lançamento de dois álbuns e um 12 polegadas para a etiqueta Hospital Productions de Nova Iorque, dirigida por Dominick Fernow.

No semibreve apresentará Faltar, uma estreia mundial, na qual colabora com a artista visual Florence To.

Andy Stott estreou-se na etiqueta Modern Love em 2005 com Replace EP - uma exposição de 4 faixas do seu estilo de produção único, incorporando influências de Chicago e Detroit com um código genético obtuso no seu cerne.

No ano seguinte produziu aquele que é agora considerado um álbum marcante - Luxury Problems -, uma obra que introduziu novos elementos, nomeadamente a voz de Alison Skidmore, professora de piano de Andy dos seus tempos de escola. Uma combinação de tropos acessíveis, embora inerentemente desviantes, e um estilo de produção que se tornou mais individual e identificável com o passar do tempo e que tem atraído grande interesse, com inúmeras referências em publicações tão diversas como a Pitchfork, Vogue e The New York Times, bem como presenças em vários festivais e espetáculos, incluindo o SXSW, Unsound, Mutek e PItchfork MOMA, continuando a expor o seu trabalho a um público cada vez maior e muitas vezes enfeitiçado.

O álbum seguinte de Stott, Faith In Strangers, foi lançado no final de 2014 e mais uma vez mostrou o produtor a tomar um rumo estilístico completamente diferente. O álbum foi votado álbum do ano de 2014 no Resident Advisor, além de ter recebido a distinção de "Melhor Música Nova" pela Pitchfork e de ter surgido em diversas listas de final de ano.

No Semibreve, Andy Stott irá apresentar o seu quarto álbum, Too Many Voices. O álbum é inspirado na pop de quarto mundo da Yellow Magic Orchestra do Japão, assim como no grime feito 25 anos mais tarde com um Triton.

Nídia Minaj é uma talentosa produtora de música no seu quarto e estudante liceal de 19 anos sediada em Bordéus, apesar de ter passado a maior parte da sua vida até agora na Margem Sul, no Vale da Amoreira. Ainda cá integrou as Kaninas Squad, um grupo feminino de dança de Kuduro, e já sonhava com a criação dos seus próprios beats e temas, algo que começou sozinha a experimentar no incontornável Fruity Loops. A sua conta no soundcloud tem sido o veículo principal de partilha da sua música com o mundo, o que mudou com o lançamento do seu primeiro disco físico "Danger" pela Príncipe em 2015, maravilha de Houses quebrados e a sua interpretação de Kuduro avançado que mais ninguém de momento parece capaz de competir, num campeonato que tinha sido território dos rapazes até à sua entrada confiante em jogo. No último ano tem também se empenhado em mostrar ao vivo e em directo o valor da sua música, desde uma memorável festa na Art Basel a datas em clubes como o Celezte em Estocolmo ou o Opium em Vilnius, para além de actuações elogiadas nos festivais Unsound em Cracóvia ou no CTM 2016 em Berlim, tocando no Panorama Bar do Berghain. Um novo disco está planeado para edição na Príncipe este ano.

29 Outubro

Christina Vantzou é uma compositora, artista e videomaker instalada em Bruxelas.

Com escola nas artes plásticas, Vantzou aventurou-se na música pela primeira vez enquanto artista vídeo / animadora / teclista dos The Dead Texan. Mais tarde, juntou-se aos Sparklehorse numa tournée europeia (2007). Christina considera a apresentação a Mark Linkous como o catalisador para a criação do seu primeiro álbum completo de música pós-clássica de ambiente minimalista.  Christina lançou três álbuns com a Kranky records.O seu trabalho como compositora e arranjadora orquestral é caracterizado por camadas exuberantes de instrumentos clássicos, sintetizadores, samples vocais e melodias sonâmbulas.  Enquanto artista plástica, Vantzou trabalha a alta velocidade para criar um acompanhamento visual de movimento lento para a sua música.

No Semibreve, Christina Vantzou irá apresentar um concerto especial com o Ensemble Harawi.

Na sua estreia em Portugal, Moritz von Oswald (Basic Channel, Maurizio, Rhythm and Sound) e Rashad Becker (Dubplates & Mastering) apresentam o seu projeto visionário, originalmente encomendado pelo Berlin Atonal para o festival The Long Now, na sua primeira apresentação fora de Berlim.

No âmago do concerto encontra-se o som natural de um piano, sobre-exposto pelo tocar de uma única nota (b) que atravessa variados caminhos de convolução eletrónica, reunindo todos os tipos de patine elétrica e ecos evocativos, clones e caricaturas de si mesma, funcionando em última análise como um impulso de sonar enviado à maquinaria para ser informado e invadido pelos seus circuitos. O som do piano transforma-se em ficção assim que é captado por um microfone, embora o seu legado se mantenha inabalável e o seu caráter inflexível.

Tyondai Braxton é um compositor e músico americano de música eletrónica. Tem escrito e apresentado música em nome próprio e de forma colaborativa, sob o nome de vários grupos, desde meados de 1990. A sua música incorpora elementos orquestrais eletrónicos e modernos, que vão desde peças a solo até obras sinfónicas de grande escala.  

 

Antigo líder da banda de rock experimental Battles, Braxton tem-se focado, desde então, no seu próprio trabalho, incluindo no seu álbum aclamado pela crítica, Central Market – executado por orquestras de renome mundial, tais como a London Sinfonietta, a Los Angeles Philharmonic e a BBC Symphony Orchestra.

 

Braxton tem sido contratado para escrever peças para ensembles como os The Bang on a Can All Stars, Kronos Quartet, Allarm Will Sound e Brooklyn Rider. Em 2012, Braxton colaborou com o lendário compositor Philip Glass - atuando em conjunto no festival All Tomorrow's Parties e remisturando o trabalho de Glass para o álbum REWORK.

 

Em 2013, Braxton estreou HIVE - uma obra multimédia que é parte instalação sonora/parte atuação ao vivo - no Museu Guggenheim, em Nova Iorque. Desde então, apresentou HIVE no festival Sacrum Profanum, em Cracóvia, no âmbito da celebração do 50.º aniversário da Nonesuch Records, no Barbican, em Londres, e na Casa da Ópera de Sydney.

Tyondai Braxton irá estrear-se em Portugal no Semibreve.

Construtor sonoro e cénico, que aborda no seu trabalho elementos de pré-linguagem, coros generativos, o “animismo acústico”, o eco, a percussão gestual e as reminiscências da musica cerimonial e do dub.

Compôs desde 2010 uma série de peças para voz, electrónica e espaço ressonante: TEUFEL RADAR, para coro e antena; KHŌROS ANIMA para coro, sub-graves e espaço fabril; SANCTA VISCERA TUA, para gesto, luz, percussão, térmitas e coro, a partir dos arquétipos de uma Via Sacra; SILVO UMBRA para coro, luz e espaço esférico.

É parte da dupla de produtores FUJAKO, dirige o projeto HHY & The Macumbas e foi o fundador do coletivo SOOPA, editora e programadora de concertos e performance iniciada em 1999 no Porto. Co-Fundador da editora SIloRumor. Cocreador das peças cénicas NYARLATHOTEP, REI TRILOGY, DEL JUNGLE MACHINE e OXIDATION MACHINE, apresentadas em espaços como Rivoli TMP, Accès(s) Festival e o Museu de Serralves.

Tocou nos festivais Sónar, Primavera Sound, Amplifest, Out.Fest, Milhões de Festa, Neopop, Tapettefest e Elevate. Em digressão tocou em espaços como Ancienne Belgique em Bruxelas, Berghain Kantine em Berlim, Stubnitz em Hamburgo, Filmer la Musique em Paris e Issue Project Room em Nova Iorque.

A sua música está editada na Tzadik, Rotorelief, Ångström, SiloRumor e Wordsound.

No Semibreve, Jonathan Uliel Saldanha irá conjugar algumas das suas produções e colaborações numa esfera sonora intersticial de espaços ressonantes, coros generativos, pressão subsónica, voz desencarnada, percussão gestual e reminiscências da música de fanfarra; adicionando a este fluxo elementos do seu novo album Tunnel Vision (SiloRumor), com gravações desenvolvidas em túneis e cavidades, num processo de mistura denominado Skull–Cave–Echo.

 

Sonoridades pesadas e mutiladas de música eletrónica com influência dos sons de Detroit, Reino Unido, Jamaica e Alemanha - a música de Laurel Halo é um caos em constante mutação, temperamental e extasiante, com flashes de brilhantismo rítmico mediados pela simplicidade modal. A artista originária de Michigan e instalada em Berlim lançou tanto álbuns com maior enfoque instrumental como vocal através da etiqueta londrina Hyperdub e tem atuado em diversos clubes noturnos, salas de concerto e espaços estranhos em todo o mundo. Sendo também uma ávida DJ, Laurel apresenta um programa mensal na Berlin Community Radio, tendo inicialmente começado como DJ na lendária estação WCBN-FM, em Ann Arbor, Michigan.   Colaborou com John Cale, Julia Holter, David Borden, Daniel Wohl e NH'Koxyen/Terepa, e contribuiu com uma cover do falecido cantor folk, Karen Dalton, para uma recente compilação da Tompkins Square.

O set ao vivo no Semibreve será uma rara aparição de Laurel Halo, entre material antigo e novo que deverá sair em 2017.

Tendo começado discretamente pelo underground em Nova Iorque no final dos anos noventa, Ron Morelli fundou a etiqueta L.I.E.S. em 2010 como forma de lançar a música de um grupo restrito de amigos que faziam faixas pela cidade.

Apesar do avançar do tempo, a etiqueta continua a ser uma instituição altamente respeitada e um esteio sólido no estranho mundo da música eletrónica alternativa. Os álbuns provêm de artistas tão diversos como o pioneiro tecno AdamX, o mestre de sintetizadores holandês Legowelt e Eric Copeland dos Black Dice.

2013 e 2014 foram anos em que Morelli fez novas incursões no âmbito da produção com o lançamento de dois álbuns e um 12 polegadas para a etiqueta Hospital Productions de Nova Iorque, dirigida por Dominick Fernow.

Ron Morelli irá atuar duas vezes no Semibreve, apresentando um DJ set e o seu primeiro espetáculo ao vivo de sempre. Não muito distante do seu LP de 2015, A Gathering Together, o espetáculo ao vivo será uma amálgama de paisagens sonoras eletrónicas rudes e desconstruídas por Morelli e recolhidas das periferias. Tratando-se essencialmente de uma experiência sem batida, esta não será a típica música para pista de dança, mas antes uma experiência sonora envolvente com uma atitude punk e um caráter tenso, evocando uma incerteza em relação à experiência sonora que se poderá encontrar ao virar da esquina.

30 Outubro

Oliver Coates é um violoncelista, compositor e produtor instalado em Londres. No último ano tem realizado espetáculos a solo na China, Rússia, Brasil, Egito e Austrália, e fez a sua estreia em Nova Iorque no Le Poisson Rouge. Foi o vencedor do Prémio Jovem Artista da Royal Philharmonic Society em 2011 e é um Artista em Residência no Southbank Centre. Lançou álbuns na Prah Recordings e Slip, e colabora com a London Contemporary Orchestra, Jonny Greenwood (em O Mestre e Haverá Sangue), Mica Levi (em Debaixo da Pele) e com o artista plástico Lawrence Lek (no premiado trabalho em vídeo Unreal Estate). Recentemente apresentou, juntamente com Lek, a estreia mundial de um novo trabalho, QE3, no Glasgow International Festival. O seu novo LP, Upstepping, foi lançado pela Prah em maio. Oliver Coates programou ainda o festival DEEP∞MINIMALISM do Southbank Centre, que teve lugar em junho. No outono, irá lançar um álbum colaborativo com Mica Levi através da Slip/Warp.

No Semibreve, a sua estreia em Portugal, Oliver Coates irá apresentar uma atuação especial, uma composição minimalista tonal baseada em violoncelo e eletrónica com uma representação em AV dos mundos de videojogos distópicos e vazios de Lawrence Lek.

Continuum é um novo trabalho de Paul Jebanasam com projeções visuais do artista holandês Tarik Barri. Inspirado pela poética da energia e da eterna resistência da matéria viva contra a entropia, a obra explora o espaço composicional de áudio sintético e de materiais visuais levados ao limite das possibilidades tecnológicas.

A atuação ao vivo da obra gira em torno de um software desenvolvido por Barri para permitir criar construções improvisadas de ambientes simulados complexos. Tradicionalmente domínio da supercomputação de elevado desempenho, esta prática aplica modelos físicos para criar exames imersivos à estrutura de luz. Paralelamente a este processo, as composições de Jebanasam re-imaginam o espaço de concerto como um vasto instrumento arquitetural, tendo por base a conceção acústica dos órgãos de igreja e orientadas por uma visão ousada para música maquinizada.

Continuum é uma estreia em Portugal promovida pelo Semibreve.