Sala de Escuta Octofónica
Acesso exclusivo a portadores de qualquer bilhete para o festival, sujeito à lotação da sala
Instalação
Data + Hora
23.10 Sexta-feira
16:30
Local
Museu Nogueira da Silva (Salão Nobre)
Som e música chegam-nos pelo ar, de todos os lados. Circulam em linhas rectas, mas batem e regressam dos objectos, sobrepõem-se, anulam-se, falam entre si. Do estéreo aos sistemas multicanal, desde há muito que se tenta criar um universo sónico tão expansivo quanto possível, onde nos perdemos nas suas ondas e refracções, num esforço extremo de representar a complexidade do meio que nos rodeia. Nesta edição de 2026, o Semibreve cria pela primeira vez um ambiente de difusão octofónica, em que, ao longo de múltiplas sessões, apresentamos uma selecção de peças sonoras compostas para sistemas multicanal. No bonito salão nobre do Museu Nogueira da Silva, quatro peças de consagrados compositores contemporâneos mostrarão a riqueza das suas ideias quando se multiplicam as vozes do próprio espaço sonoro.
© Kasia Kim Zacharko
Jana Irmert
“Portals” (2024; 16’)
Comissariado por INA GRM
“Portals” nasce de gravações feitas por Jana Irmert na floresta amazónica do Brasil e da Colômbia. Contudo, o que ouvimos não provém dos sons óbvios que poderíamos esperar de uma visita a este ecossistema tropical, mas sim dos que normalmente nos escapam: ultrassons de insectos, morcegos e anfíbios, ou toda uma sinfonia dos cursos de água captados por hidrofones. Transpondo esses registos para o espectro audível, Irmert constrói uma composição — originalmente concebida para 36 altifalantes — onde a floresta surge, surpreendentemente, como um mundo paralelo ao nosso, com seres vivos em inebriante comunicação entre si, revelando-nos uma outra camada de vida que maravilhosamente nos ignora.
Sarah Davachi
“Basse Brevis” (2024; 18’)
Comissariado por INA GRM
Estreada no festival Présences de 2024, em Paris, dedicado a Steve Reich, “Basse Brevis” é uma dedicatória de Sarah Davachi ao mestre norte-americano. Gravada em Los Angeles com órgão eléctrico, sintetizador e mellotron, a peça oscila entre exploração formal e momentos de pura emoção, e vai expondo, ao longo de quase 20 minutos, como os universos de ambos os compositores se interligam subtilmente no tempo e no espaço.
BJ Nilsen
“Scalar Towers” (2026; 25’)
Co-comissariado por Sonic Acts e INA GRM
Partindo de gravações em duas estruturas arquitectónicas — uma torre de água em Radio Kootwijk e um silo em Friesland, ambas localidades dos Países Baixos —, BJ Nilsen elaborou uma investigação sobre a acústica vertical: como o som se movimenta e se transforma em edifícios que canalizam as ressonâncias em vez de as dispersar. “Scalar Towers” é uma peça imersiva e meticulosa, e mais uma fantástica cartografia sónica do artista sueco, numa carreira já com três décadas.
Maria W. Horn
“All Solids Melt Into Aether” (2025; 20’)
Comissariado por INA GRM
“All Solids Melt Into Aether” parte de gravações do órgão Liardon/Felsberg, instalado numa igreja em La Tour-de-Peilz, na Suíça, afinado em temperamento mesotónico. Accionado por pedal, o fole produz no fim de cada nota um glissando descendente à medida que a pressão do ar diminui. A estes sons, Maria W. Horn junta electrónica e composição algorítmica, gerando alturas ora em estabilidade extrema, ora em instabilidade calculada, dando-nos uma panorâmica sobre o equilíbrio harmónico e o seu colapso.
Produzido pelo Semibreve em colaboração com INA grm e Sonic Acts como parte de Re-Imagine Europe, um programa co-fundado pela União Europeia