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Ricardo Jacinto
Manto

Música

Data + Hora

25.10 Domingo + 15:30

Local

Reitoria da Universidade do Minho

Manto é uma peça para violoncelo preparado, electrónica e difusão multicanal que pensa e explora a matéria sonora como fenómeno tectónico. Através de uma amplificação extrema do corpo de um violoncelo preparado com objectos ressonantes, sujeito a um campo electroacústico em feedback, reverberações de longa duração e processos espectrais em permanente deslocação, a peça propõe que o desenvolvimento musical aconteça no interior dum magma sónico denso e instável, onde os gestos do violoncelo emergem e desaparecem como uma formação mineral em transformação. Inspirada nas descontinuidades do manto terrestre, caracterizado por zonas de transição invisível onde a matéria muda de estado, densidade e comportamento, a peça desenvolve uma dramaturgia de fricção, pressão e propagação subterrânea. Um sistema de difusão multicanal movimenta massivas texturas sonoras no espaço como lentas correntes convectivas, potenciando a criação de um ambiente imersivo onde ressonância e matéria se confundem.

O percurso de Ricardo Jacinto é sinuoso entre diversas disciplinas que, nas suas mãos, têm confluído brilhantemente, escrevendo um currículo especialmente único na arte contemporânea portuguesa. No centro talvez esteja o seu instrumento de eleição — o violoncelo —, e daí vem música de excepção, mas o seu palco é um sistema amplo que junta artes visuais e arquitectura. Espaço e construção são, por isso, vectores fundamentais do seu trabalho, e a música existe como um projecto sonoro de ocupação, seja pelo espaço que ocupa, seja pela resposta dos seus objectos ou pela música dos seus inúmeros cúmplices. “Manto” não foge a essas atraentes premissas: num sistema de difusão multicanal, a bela sala da Reitoria da Universidade será o palco total do movimento de texturas sonoras massivas, potenciando a criação de um ambiente onde ressonância e matéria se confundirão. Esperem um lugar cheio de som, de gestos determinísticos, de criação e de resposta, de correntes tectónicas que nos colocarão no centro de uma partitura viva.